Entrevista: Júnior Rostirola, autor do livro “Café com Deus Pai”
Júnior Rostirola é escritor, palestrante e líder cristão, conhecido pelo sucesso do devocional “Café com Deus Pai”, um dos livros mais vendidos do Brasil nos últimos anos. Sua obra se destaca pela linguagem acessível e pela proposta de reflexão diária, voltada à espiritualidade e ao fortalecimento da fé.
JT: Como surgiu a ideia de fazer o livro “Café com Deus Pai”?
Júnior Rostirola: A ideia nasceu de um lugar muito íntimo da minha vida. Eu sempre tive o hábito de separar um tempo pela manhã para conversar com Deus, abrir a Bíblia e refletir sobre aquilo que estava vivendo. Era um momento simples, como se eu estivesse realmente tomando um café com o Pai. Em determinado momento senti no coração que aquelas reflexões não deveriam ficar apenas comigo. Comecei a escrever devocionais curtos, muito sinceros, que pudessem acompanhar as pessoas no início do dia. Assim nasceu Café com Deus Pai: de um encontro pessoal que se transformou em convite para que outras pessoas também se sentassem à mesa com Deus.
JT: Em que momento você percebeu que Café com Deus Pai deixou de ser um livro e virou movimento Café com Deus Pai?
JR: Quando comecei a receber mensagens de pessoas dizendo que o livro estava restaurando famílias, trazendo paz para quem estava em depressão ou ajudando alguém a voltar a falar com Deus. Ali eu entendi que aquilo não era apenas literatura, era um movimento de pessoas buscando intimidade com Deus todos os dias. Quando você percebe que o livro está nas mesas de café da manhã de milhões de casas, em hospitais, em prisões, em momentos de dor e também de esperança, entende que Deus transformou um livro em algo muito maior.
Pensando em continuar essa conversa com as pessoas e ir além desse encontro diário, lanço agora em abril “A vida que você busca está na cura que você precisa”, um livro que convida o leitor a revisitar experiências do passado que influenciam escolhas, comportamentos e relações ao longo da vida. A obra aborda temas como orfandade emocional, ressignificação da própria história e o processo de cura interior, algo que também dialoga com a minha própria trajetória.
JT: O sucesso do devocional revelou mais sobre sua fé ou sobre a carência espiritual do nosso tempo?
JR: Eu acredito que revelou as duas coisas. Por um lado, Deus fortaleceu muito a minha fé durante todo esse processo. Por outro, ficou muito claro o quanto as pessoas estão sedentas por algo verdadeiro, por espiritualidade sem máscara, por um relacionamento real com Deus. Vivemos em uma geração muito conectada com tudo, mas muitas vezes desconectada de si mesma e de Deus. O sucesso do livro mostra que existe uma busca sincera por sentido, por paz e por direção.
JT: Você escreve a partir da dor, da disciplina ou da inspiração?
JR: Eu diria que das três coisas. A dor nos aprofunda, a disciplina nos sustenta e a inspiração nos move. Muitas vezes escrevo a partir de experiências difíceis da minha vida, porque acredito que Deus transforma feridas em pontes para alcançar outras pessoas. Mas também existe disciplina: acordar cedo, ouvir Deus, refletir. E, claro, há momentos em que a inspiração vem de forma muito clara, como se Deus colocasse uma mensagem diretamente no meu coração.
JT: O que o silêncio de Deus te ensinou que o sucesso não ensinou?
JR: O silêncio de Deus me ensinou confiança. Quando Deus parece em silêncio, Ele ainda está trabalhando. O sucesso pode nos mostrar resultados, mas o silêncio nos ensina dependência. Aprendi que fé não é apenas celebrar quando tudo dá certo, mas continuar caminhando quando você não entende o que está acontecendo.
JT: Qual crítica ao livro mais te fez refletir?
JR: Algumas pessoas já disseram que o livro é simples demais. E isso me fez refletir bastante. Mas depois eu entendi que a simplicidade também é uma escolha. Jesus falava de forma simples para alcançar o coração das pessoas. Se uma mensagem simples consegue tocar alguém que está perdido ou ferido, então ela já cumpriu o seu propósito.
JT: Quando o “café” esfria na alma, o que você faz?
JR: Todos nós passamos por momentos assim. Quando percebo que meu coração está distante ou cansado, eu volto ao essencial: silêncio, oração e presença. Às vezes não é sobre falar muito com Deus, mas apenas permanecer com Ele. O relacionamento se renova quando voltamos à mesa.
JT: Se Deus tomasse um café contigo agora, o que gostaria de dizer a ele?
JR: Muito obrigado Pai por tudo que vivi até aqui. Obrigado por me resgatar e me fazer conhecer o ter amor e a tua graça. Obrigado por acreditar em mim, transformar a minha história de dor em testemunho de vida e me usar para poder alcançar tantas vidas com o seu amor. Conta comigo sempre Deus Pai. Me ensina todos os dias a ser mais parecido contigo e dependente de ti, óh Pai. Me ensina a ser melhor a cada dia e a cumprir a minha missão aqui na terra.
JT: Quando as vendas sobem, como manter os joelhos no chão?
JR: Lembrando sempre de onde eu vim. Eu sei quem eu era antes de Deus transformar a minha vida. O sucesso pode subir à cabeça quando esquecemos o processo. Por isso eu procuro manter uma vida de oração, cercado de pessoas que falam a verdade para mim e lembrando que tudo isso não é sobre mim, é sobre aquilo que Deus quer fazer através de mim.
JT: Deixa um recado para os leitores.
JR: Deus não está distante de você. Ele não é apenas o Deus dos grandes momentos, mas também dos pequenos encontros diários. Separe um tempo, mesmo que seja simples, para sentar-se à mesa com o Pai. Às vezes uma xícara de café e um coração aberto são suficientes para que Deus transforme um dia, e até uma vida inteira.
