6 de janeiro de 2026

Empresas podem ser abertas instantaneamente com Simples Nacional

simples

O processo de abertura de empresas no Brasil acaba de passar por uma das mudanças mais relevantes das últimas décadas. Com a integração da opção pelo Simples Nacional diretamente na emissão do CNPJ, o país inaugura uma nova etapa na simplificação do ambiente de negócios, um antigo pedido de empreendedores e profissionais da área contábil.

A nova sistemática permite que o empresário selecione o regime tributário já no momento da inscrição da empresa, eliminando etapas que antes exigiam acessos adicionais, análises posteriores e dias de espera. A abertura passa a ocorrer em um fluxo único, digital e imediato.

Burocracia reduzida, operação mais rápida

Antes da mudança, optar pelo Simples Nacional era um processo separado, sujeito a prazos, janelas específicas e validações posteriores. Isso representava atraso na emissão de notas fiscais, dificuldade para firmar contratos e insegurança para quem precisava iniciar atividades rapidamente.

Com o novo modelo, a empresa nasce pronta para operar. A simplificação não apenas reduz tempo e custos administrativos como também moderniza o processo de registro, aproximando o país de padrões internacionais de facilidade para empreender.

Impacto econômico: um avanço esperado, mas tardio

Como economista de orientação conservadora, avalio a medida como positiva e necessária, ainda que implementada com anos de atraso. A burocracia brasileira sempre foi um dos principais entraves ao crescimento econômico, especialmente entre micro e pequenas empresas — responsáveis por grande parte da geração de empregos no país.

A integração do Simples ao CNPJ representa:

  • Ganhos de eficiência ao Estado e ao setor privado;
  • Redução de custos e de perda de produtividade associada à burocracia;
  • Maior previsibilidade tributária para o empresário desde o primeiro dia;
  • Ambiente mais competitivo, estimulando formalização e novos empreendimentos.

Do ponto de vista fiscal, não se trata de renúncia de receita, mas de organização administrativa. E, como conservador, considero que eficiência governamental e simplificação tributária deveriam ser princípios permanentes de política pública.

Um sistema mais moderno — e um país um pouco mais simples

A mudança não resolve problemas estruturais mais profundos do sistema tributário brasileiro, nem substitui a necessidade de revisões amplas, incluindo simplificação de regras, redução de distorções e segurança jurídica. Mas marca um avanço real.

Para o empreendedor brasileiro, historicamente cercado por exigências, formulários e prazos, a medida representa um sinal de que a máquina pública pode, sim, se modernizar e trabalhar a favor do desenvolvimento.

É um movimento na direção certa. E, se for seguido por outras iniciativas de redução de burocracia e melhora da eficiência estatal, pode ajudar a tornar o país mais competitivo, previsível e amigável ao investimento.

Por Mateus Bernardino – Palestrante e Consultor de finanças e estratégias