20 de abril de 2026

Fevereiro Verde: mês de conscientização ao câncer de vesícula biliar

Danton Correa

O segundo mês do ano é voltado à conscientização ao câncer de vesícula biliar, tumor maligno que se desenvolve no aparelho digestivo e atinge cerca de menos de 10% da população mundial.

De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo e oncológico, Danton Corrêa, a data é importante por se tratar de uma doença de difícil detecção e pouco divulgada. “O câncer de vesícula biliar apresenta dificuldade no diagnóstico precoce, por estar localizado numa parte profunda do corpo, o que prejudica sua descoberta durante um exame e, devido a isso, o tumor é descoberto num estágio mais avançado”, explica.

Os principais sintomas são dor abdominal, náuseas, vômitos, icterícia (parte branca dos olhos amarelada) e nódulos no abdômen.

Prevenção

Não existe no câncer de vesícula a oportunidade de fazer exames de prevenção. Quando em estágio mais avançado, alguns exames ajudam a confirmar o diagnóstico como ultrassom abdominal, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, por exemplo. Pacientes com pólipos de vesícula ou com cálculos (pedras), se não tiverem a vesícula removida, precisam acompanhar com ultrassonografia periódica. “A maior parte dos pólipos que surgem na vesícula são de colesterol, e não tem risco de transformação. Quando um pólipo tiver características de adenoma, aí sim pode transformar, principalmente se estiver crescendo ou já for maior que um centímetro”, explica.

Segundo Danton, pacientes com cálculos e com sintomas, devem ter a vesícula removida. Se assintomáticos, a indicação de cirurgia depende de vários fatores. “Cálculos únicos e grandes têm uma predisposição maior a provocar irritação crônica na parede da vesícula, podendo predispor ao câncer. Aumenta em 8,5 vezes o risco em relação a quem não tem pedra. Ainda assim, uma minoria dos pacientes com cálculos irá desenvolver a doença. Se a parede da vesícula estiver calcificada, a chamada “vesícula em porcelana”, também tem uma predisposição aumentada, sendo uma indicação de remoção da vesícula.

“Alguns fatores externos podem colaborar com a prevenção do câncer de vesícula biliar. Alimentação saudável, a prática de atividades físicas”, acrescenta o médico.

Exame anatomopatológico

Muitos pacientes operam a vesícula e não voltam para ver o resultado do exame anatomopatológico. É importante sempre verificar esse resultado após a cirurgia, porque a vesícula pode ter um foco insuspeito por imagem já de câncer, só visível ao microscópio.  Quando identificado nessa fase, pode ser necessário uma complementação do tratamento cirúrgico, além da simples retirada da vesícula.

Tratamento

O câncer, após diagnosticado, pode ser tratado de diferentes formas, dependendo do estágio da doença. Os principais tipos de tratamentos incluem cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia-alvo, imunoterapia e terapia paliativa.  A conversa com o paciente sobre a melhor opção terapêutica é fundamental para ajudar na melhor decisão que se adeque às necessidades pessoais.

Câncer de vesícula x pedra na vesícula

A pedra na vesícula biliar acontece por uma alteração na composição da bile, que podem ser agravados por doenças como o diabetes e hipertensão, ou maus hábitos como fumar, sedentarismo e dieta rica em gorduras e pobre em fibras. Quando as pedras se formam, elas podem ou não provocar sintomas. A presença da pedra pode nunca incomodar, pode provocar dores após ingerir alimentos gordurosos, chamadas de cólicas biliares. Pode inflamar e formar pus dentro, a chamada colecistite aguda. Caso a pedra saia da vesícula, pode provocar também obstrução do canal biliar e até pancreatite. Como já mencionado acima, a presença das pedras é o principal fator de risco para desenvolvimento de câncer.

Em relação aos sintomas, estes podem se sobrepor, já que a maior parte dos pacientes com câncer têm pedras. O aparecimento de icterícia ou perda de peso sem explicação sempre trazem preocupação e precisam ser vistos com certa urgência e maior atenção.