5 de janeiro de 2026

Entrevista com João Paulo Kleinübing, diretor financeiro do BRDE

O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) é uma instituição de fomento público que não compete com bancos comerciais. O banco é controlado pelos três estados do Sul do país e completará 65 anos de atuação em 2026.

A instituição financia projetos de investimento, inovação e sustentabilidade para empresas, produtores rurais e municípios. Atua como agente financeiro de recursos nacionais, como a FINEP, e oferece taxas de juros mais acessíveis para promover o desenvolvimento econômico e social da região, com foco em energia limpa e impacto socioambiental.

A seguir, você confere uma entrevista com o diretor financeiro do banco, João Paulo Kleinübing, sobre a instituição, seus programas de financiamento e linhas de crédito.

Diretor, inicialmente, como funciona o Crédito Simples BRDE?

JPK: O prazo do financiamento é de 30 meses, sendo seis meses de carência e 24 meses de amortização. Para participar do programa, é necessário que o CNPJ tenha, no mínimo, dois anos de existência, esteja com todas as certidões negativas em dia e seja aprovado na análise de crédito, realizada pelo próprio site do banco, o que agiliza o atendimento.

Em 2025, atingimos mais de 50 operações de crédito liberadas, com financiamento superior a R$ 7,5 milhões. A média foi de R$ 140 mil por empresa, com valores que variam entre R$ 50 mil e R$ 200 mil. Trata-se de um processo em crescimento, que facilita o acesso ao crédito.

Já o Pronampe oferece crédito por meio de cooperativas associadas, em uma relação bastante próxima, o que permite estreitar laços com clientes de diferentes regiões de Santa Catarina. Pretendemos, no próximo ano, ampliar o Crédito Simples para apoiar micro e pequenas empresas que ajudam a transformar o estado.

Sobre o crédito para exportação, voltado às empresas afetadas pelo tarifaço, como funciona?

JPK: A linha possui prazo de até 36 meses, com um ano de carência e 24 meses de amortização. Existem duas opções de taxas de juros: uma com variação cambial (dólar) mais 3% ao ano e outra com taxa fixa de 9% ao ano, cabendo à empresa escolher a mais adequada. Os setores que mais demandaram essa linha foram o moveleiro e o madeireiro, os mais impactados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O que o senhor pode destacar sobre a renovação da frota de ônibus da Capital, em parceria com a Prefeitura de Florianópolis?

JPK: A partir de 2026, será realizada a renovação da frota com a aquisição de 100 novos ônibus para Florianópolis. Todos contarão com ar-condicionado e padrão Euro 6 de emissão de poluentes, reduzindo a emissão de gases e melhorando a qualidade do ar. O investimento será de R$ 90 milhões ao longo de três anos.

Sobre o Pronampe para desastres naturais, a quem se destina?

JPK: Temos atuado, nos últimos dois anos, no atendimento a municípios afetados por eventos climáticos extremos. Para essas situações, oferecemos linhas de crédito para micro e pequenas empresas de até R$ 150 mil, com taxa fixa de 9% ao ano. Para agricultores pessoa física, o limite é de até R$ 50 mil, com taxa de juros zero, custeada pelo governo estadual.

O novo escritório regional de Joaçaba foi inaugurado no final de novembro. O que isso representa?

JPK: Representa a expansão do banco em todas as regiões do estado, facilitando o acesso das empresas ao crédito e fortalecendo o relacionamento institucional. Para se ter uma ideia, o escritório atenderá cerca de 65 municípios das regiões serrana e Meio-Oeste catarinense, ampliando ainda mais nossa cobertura física de atendimento.

Outros projetos em destaque?

JPK: Temos o Coopera Agro SC, recém-aprovado pela Alesc, com início das operações previsto para 2026. O programa prevê R$ 200 milhões aportados pelo Estado e R$ 800 milhões pelo setor privado. Como incentivo adicional, o governo poderá liberar créditos acumulados de ICMS, limitados a até 50% do valor investido. Com impacto econômico estimado em R$ 26 bilhões, geração de cerca de 40 mil empregos diretos e indiretos e benefícios para mais de 120 mil produtores rurais, o Cooper Agro SC é considerado um programa de transformação estrutural para o setor.

Já o Estrada Boa Rural teve os primeiros contratos assinados em dezembro, na região Oeste. A iniciativa prevê a pavimentação de 2.500 quilômetros de vias rurais nos 295 municípios do estado, com investimento total de R$ 2,5 bilhões. O objetivo é melhorar a qualidade de vida e fortalecer a base econômica dos setores agrícola e agroindustrial de Santa Catarina.

O BRDE completará 65 anos em 2026 e foi criado justamente para oferecer crédito de longo prazo. A instituição tem o papel de impactar e apoiar quem acredita no desenvolvimento do Estado.

“Nossa missão é apoiar quem produz e transformar vidas por meio do desenvolvimento”, conclui Kleinübing.