Entrevista com Alcione
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Há artistas que atravessam gerações. E há Alcione que não apenas as atravessa, mas as costura com sua voz exuberante, inconfundível e carregada de alma. Dona de um timbre poderoso, a Marrom colore a música brasileira com suingue, carisma e a certeza de quem nasceu para estar no palco.
Com 50 anos de carreira, mais de 40 discos lançados, dezenas de prêmios, discos de ouro e platina, além de um sorriso luminoso que marca sua presença e contagia corações por onde passa. Alcione não deixa o samba morrer, ao contrário, faz o gênero pulsar, emocionar e virar a nossa cabeça.
JT: Qual é a origem do nome Alcione?
Alcione: Meu pai tirou de um romance psicografado por Chico Xavier, em 1942, chamado Renúncia. Eu li esse livro e depois falei: “Mas, chefe — eu chamava meu pai de chefe —, por que o senhor foi escolher esse nome pra mim? É uma personagem que sofre muito.” Ele disse: “É porque ela sofreu muito, minha filha, mas depois ela teve a redenção.” Tá bom, a redenção vem.
JT: Quando descobriu que gostaria ser cantora?
Alcione: Quando escutei pela primeira a jazzista norte-americana Ella Fitzgerald. Quando ouvi aquela mulher, pensei: preciso aprender a cantar e iniciar o meu caminho.
JT: Qual o segredo do sucesso?
Alcione: O segredo é você gostar do que faz, é ter amor, alegria, porque fica fácil; você faz aquilo que você gosta. Eu acho que isso.
JT: Que avaliação você faz dos seus 50 anos de carreira?
Alcione: Foram anos de muitas batalhas e trabalho exaustivo, porque optei por construir uma carreira, e não em tornar-me apenas uma cantora fadada ao sucesso. E, com o apoio de inúmeros profissionais que me auxiliaram no decorrer dessas décadas, felizmente, meus objetivos foram alcançados. Portanto, só tenho a agradecer, principalmente ao público que tem me acompanhado durante toda essa trajetória.
JT: Entre os muitos discos que você lançou, qual é o seu favorito e por quê?
Alcione: Em uma trajetória dessas, fica difícil apontar apenas um. Claro que existem graus de importância, principalmente devido ás épocas em que foram lançados. A alegria de gravar o primeiro compacto; estrear no disco; a felicidade ao ouvir nossas músicas tocando nas rádios; o primeiro disco de ouro; e o de platina duplo! O álbum que conquistou o Grammy Latino. Todos eles, e inúmeros outros, trazem suas marcas, histórias e delimitam conquistas.
JT: E qual música é a sua cara?
Alcione: Existem inúmeras canções que poderiam compor esse mosaico. Afinal, só gravo o que me emociona, comove, arrepia.
JT: De todas as musicas que você canta, qual a sua favorita?
Alcione: “Não deixa o Samba Morrer”, fiquei 22 semanas em primeiro lugar, e “Cajueiro Velho”, do meu pai.
JT: Qual seu desejo para 2026?
Alcione: Muita paz para este Brasil. Estamos precisando de muita paz. E que o Brasil se organize. Este é o sonho de todo brasileiro: achar um emprego bom; que este violência que esta no ar, que ela pare; e que todos tenhamos muito amor.
JT: Recado para os fãs:
Alcione: Estou adorando estar em Floripa. Sei que as pessoas gostam muito de mim. Muito obrigada pelo carinho que vocês sempre depositaram em mim.
