3 de fevereiro de 2026

Dia Mundial do Câncer: Por que os cânceres do aparelho digestivo estão entre os mais comuns?

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Casos da doença cresceram 20% em todo o mundo em 10 anos

O Dia Mundial do Câncer, 4 de fevereiro, chama atenção para a doença que na última década cresceu em 20% no mundo. As projeções indicam que até 2025, 704 mil novos casos surgirão no Brasil, representando uma séria preocupação de saúde pública. Dentre os tipos mais frequentes, destacam-se os cânceres de mama, próstata, cólon e reto (intestino), pulmão e estômago.

O cirurgião oncológico e do aparelho digestivo de Florianópolis, Danton Corrêa, ressalta a importância do cuidado com a saúde digestiva, uma vez que dois tipos de câncer do sistema digestivo figuram entre os mais prevalentes.

E por que esses cânceres específicos são os mais comuns?

Segundo Danton, a alimentação desempenha um papel significativo na incidência do câncer devido ao consumo excessivo de gorduras saturadas, alimentos e carnes vermelhas processadas, que aumentam o risco de câncer de intestino. Da mesma forma, uma dieta pobre em fibras contribui para esse cenário, porque as fibras auxiliam na digestão e na movimentação regular dos alimentos, reduzindo a exposição das células a substâncias cancerígenas.

Hábitos alimentares específicos também têm sua influência, como o consumo frequente de alimentos muito quentes, mais comum em algumas culturas. O tabagismo e o consumo excessivo de álcool são fatores agravantes, porque comprometem o sistema digestivo e aumentam o risco de câncer de estômago e intestino.

“A obesidade e a falta de atividade física regular estão relacionadas a um maior risco destes cânceres. Esses fatores afetam não apenas o peso corporal, mas também a regulação do sistema digestivo”, alerta Danton Corrêa.

Infecções, como a causada pela bactéria Helicobacter pylori no estômago, a predisposição genética e o envelhecimento são outros fatores que contribuem para o desenvolvimento da doença.

 Prevenção

A colonoscopia desempenha um papel importante na detecção precoce do câncer de intestino, pois consegue identificar pólipos e os removê-los antes de se tornarem malignos. Também é possível detectar tumores existentes e em estágios iniciais reduzindo a necessidade de tratamentos mais invasivos.

“A recomendação é realizar a colonoscopia a partir dos 45 anos. Pessoas com histórico na família devem realizar o exame 10 anos antes da idade que o familiar apresentou o problema ou de acordo com a orientação do médico”.

Sintomas

Os cânceres de intestino e estômago podem apresentar uma variedade de sintomas. Os mais comuns incluem alterações no sistema digestivo como diarreia persistente, constipação, fezes que parecem mais finas que o habitual, desconforto abdominal, fadiga, sangramento retal, sangue nas fezes ou vômito com sangue e anemia.

”A presença de um ou mais destes sinais não necessariamente indica câncer, pois muitas condições podem causar sintomas semelhantes. No entanto, é preciso estar atento a mudanças no corpo e buscar orientação médica se necessário”, destaca o médico.

 Tratamento

O tratamento varia de acordo com o estágio da doença e a saúde geral do paciente. As opções incluem cirurgia para remover o tumor, quimioterapia, radioterapia e terapias-alvo, que visam especificamente as células cancerígenas. O tratamento pode ser realizado isoladamente ou em combinação, dependendo da situação do paciente.

 Câncer de vesícula

Embora seja um câncer raro, a conscientização do câncer de vesícula está em alta no segundo mês do ano com a campanha Fevereiro Verde. Este tipo de câncer, afeta menos de 10% da população mundial, e tem diagnóstico desafiador devido à sua localização profunda no corpo, resultando muitas vezes em detecção em estágios avançados.

Os sintomas incluem dor abdominal, náuseas, vômitos, icterícia (parte branca dos olhos amarelada) e nódulos no abdômen. Pacientes com pólipos de vesícula ou com cálculos (pedras) se não tiverem a vesícula removida, precisam acompanhar com ultrassonografia periódica. Pacientes com cálculos e com sintomas, devem ter a vesícula removida. Se assintomáticos, a indicação de cirurgia depende de vários fatores.

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