3 de junho de 2026
leonardo

JT: Depois de mais de 40 anos de carreira, o que ainda te desafia artisticamente?

Leonardo: O que me desafia é continuar emocionando as pessoas de verdade. Depois de tantos anos na estrada, você entende que cantar vai muito além da voz: é sobre tocar o coração de alguém, fazer uma pessoa lembrar de um amor, da família, de um momento importante da vida. O desafio é subir no palco com a mesma verdade do começo, com a mesma vontade de abraçar o público através da música. E o “Cabaré” pede isso da gente o tempo inteiro: entrega, emoção e muuuuuitas risadas.

 

JT: Em que momento percebeu que o “Cabaré” tinha deixado de ser apenas um show para virar um fenômeno cultural?

Leonardo: Acho que foi quando começamos a perceber que o público não ia só assistir ao show, ele queria viver o “Cabaré”. As pessoas cantavam cada música do começo ao fim, levavam amigos, pais e filhos. Virou encontro, memória afetiva. O “Cabaré” passou a fazer parte da vida das pessoas. Quando você olha um estádio inteiro cantando junto, sorrindo e se emocionando, entende que aquilo ganhou um tamanho muito especial.

 

JT: O “Cabaré” mistura irreverência, nostalgia e romantismo. Qual desses elementos mais te representa?

Leonardo: Acho que sou uma mistura dos três (risos). Tenho esse lado brincalhão, gosto da leveza, da resenha no palco, mas também sou um cara muito movido pela emoção e pela saudade. A nostalgia mexe muito comigo, porque ela traz lembranças de pessoas e momentos importantes da minha vida e da minha carreira. E o romantismo está na nossa história, nas músicas que embalaram tantos amores.

 

JT: O repertório do show atravessa gerações. Como é perceber músicas de décadas atrás ainda tão presentes na vida das pessoas?

Leonardo: É uma das maiores emoções da minha vida. Você vê um senhor cantando uma música que ouviu quando era jovem e, do lado dele, um menino sabendo a letra inteira. Isso é muito forte. A música tem esse poder de atravessar o tempo e criar laços entre as pessoas. Quando alguém me fala que cresceu ouvindo minhas músicas dentro do carro com os pais e hoje leva os filhos para o show, eu fico muito emocionado.

 

JT: Como é dividir o palco com Bruno & Marrone?

Leonardo: É uma alegria enorme. A gente tem amizade, respeito e uma conexão muito verdadeira. No palco, tudo acontece de forma leve e espontânea. Cada um tem sua personalidade, seu jeito de cantar, e acho que isso deixa o show ainda mais especial. O público percebe quando existe verdade, carinho e admiração entre os artistas. O “Cabaré” é pura diversão.

JT: Existe alguma memória dessa turnê que ficará marcada?

Leonardo: Tem muitas, mas acho que o que vai ficar guardado no coração é olhar para o público sabendo que estamos vivendo os últimos encontros dessa história. Em Goiânia, nossa casa, foi muito emocionante sentir aquele carinho tão intenso. Cada cidade será uma despedida cheia de amor. São abraços, olhares, histórias que as pessoas compartilham com a gente. Isso marca para sempre.

 

JT: O que te ilumina? E é doce essa tua rotina?

Leonardo: Viver! Sou do tipo que acorda todos os dias para isso. Tem motivo maior para se sentir iluminado? E a rotina não é fácil, não, ao contrário do que dizem da vida de artista. Mas eu gosto demais da conta e, quer saber? Quando chego ao palco, até esqueço.

 

JT: Qual a maior emoção que não dá para esquecer nesses anos de carreira?

Leonardo: São muitas emoções difíceis de colocar em palavras, mas acho que perceber que a nossa música virou parte da vida das pessoas é algo inesquecível. Quando alguém diz que uma canção marcou um casamento, ajudou em um momento importante ou trouxe conforto em uma lembrança, você entende a dimensão do que construiu. Isso mexe profundamente comigo.

 

JT: Deixe um recado para os leitores.

Leonardo: Quero dizer obrigado, de coração. Essa despedida do “Cabaré” está sendo uma celebração linda da nossa história, e Curitiba agora vai viver uma noite inesquecível. Quem puder estar com a gente, venha cantar, sorrir, se emocionar e criar uma memória bonita junto da gente. O “Cabaré” é feito para o público, sempre foi. Vai ser uma honra viver esse encontro com vocês.